
O Ministério Público de São Paulo denunciou Osmar Stabile, presidente do Corinthians, por suposta apropriação indébita envolvendo a contratação da empresa de segurança privada Bear Security. Além da abertura de um processo criminal, a Promotoria pediu à Justiça o afastamento cautelar do dirigente de suas funções no clube.
A denúncia foi apresentada pelo promotor Cássio Roberto Conserino na última sexta-feira. Segundo o documento, o Corinthians desembolsou cerca de R$ 721 mil, entre julho de 2025 e agosto deste ano, para custear os serviços da Bear Security. Na avaliação do Ministério Público, porém, a empresa atuava em benefício pessoal de Stabile e, possivelmente, de seus familiares.
O MP entende, portanto, que o presidente utilizou recursos do Corinthians para bancar uma despesa que deveria ser particular. A acusação sustenta que Stabile, por ocupar o principal cargo administrativo do clube, tinha acesso legítimo aos recursos, mas teria se beneficiado pessoalmente do dinheiro da entidade.
15 de setembro – Dia Internacional da Democracia
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— Corinthians (@Corinthians) September 15, 2026
Além da denúncia criminal, o Ministério Público solicitou uma série de medidas contra o dirigente. Entre elas estão a proibição de Stabile frequentar as dependências do Corinthians e a suspensão do exercício de qualquer função associativa ou de representação institucional do clube.
Caso o pedido seja aceito pela Justiça, Stabile também ficará impedido de participar de reuniões, negociações e atos administrativos ligados ao Corinthians. O MP ainda pede que o presidente não mantenha contato com testemunhas e dirigentes, não deixe o país sem autorização judicial e não faça viagens nacionais superiores a oito dias sem aval da Justiça.
O MP também solicitou o bloqueio de bens do presidente para garantir um eventual ressarcimento ao Corinthians. A Promotoria cobra aproximadamente R$ 721 mil por danos materiais e cerca de R$ 541 mil por danos morais.

(Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
Um dos principais argumentos apresentados pelo Ministério Público é de que o Corinthians já conta com outra empresa, a Unity Serviços Terceirizados, para realizar a segurança institucional do clube. Na avaliação da Promotoria, a Bear Security teria sido contratada especificamente para cuidar da segurança pessoal de Osmar Stabile.
Em entrevista citada na denúncia, o próprio presidente reconheceu que o Corinthians arcava com os pagamentos e classificou o serviço prestado como uma “segurança VIP ao presidente”. Stabile também afirmou que os responsáveis pela empresa eram pessoas de sua confiança.
O documento ainda apresenta registros de profissionais da Bear acompanhando familiares do presidente em um compromisso particular. Para o Ministério Público, as imagens reforçam a suspeita de que os serviços custeados pelo Corinthians ultrapassavam as atividades relacionadas ao exercício da presidência.
Outro ponto levantado é que a Bear Security não teria autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança privada. Por isso, o MP informou ter solicitado uma investigação específica à PF sobre a atuação da empresa.
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Durante a investigação, o Corinthians defendeu a legalidade da contratação. O clube argumentou que o pagamento encontrava respaldo no Artigo 119 do Estatuto Social, que prevê gastos com serviços internos e eventuais. O Timão também afirmou anteriormente que a Bear passou pelo sistema de compliance.
O Ministério Público, porém, rejeitou essa interpretação. Para a Promotoria, o dispositivo citado pelo Corinthians permite despesas relacionadas às atividades do próprio clube, mas não autoriza o pagamento de um serviço particular para dirigentes. O MP também cita outro trecho do Estatuto que proíbe remuneração pelo exercício da presidência.
A denúncia aponta ainda que os pagamentos à Bear começaram em julho de 2025, meses antes da formalização do contrato apresentado pelo Corinthians. O documento foi assinado apenas em março deste ano.
Agora, caberá à Justiça analisar a acusação e os pedidos feitos pelo Ministério Público. Caso a denúncia seja acatada, Stabile passará à condição de réu em um processo criminal por apropriação indébita.
Osmar Stabile se manifestou sobre a denúncia por meio de sua defesa. O presidente do Corinthians afirmou ter recebido a acusação com “estranheza” e explicou a contratação da empresa de segurança privada Bear Security. Veja a nota abaixo:
“Osmar Stabile, por meio de sua defesa, recebe com estranheza a denúncia apresentada pelo Promotor de Justiça Cássio Conserino, que tenta transformar em acusação criminal a contratação de uma equipe de segurança para o exercício da Presidência do Sport Club Corinthians Paulista.
A segurança não foi contratada para Osmar como pessoa, mas em razão do cargo. As ameaças, de conhecimento público, decorreram de sua atuação como presidente, atingiram sua família e motivaram manifestações de repúdio, inclusive da Federação Paulista de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O Ministério Público conhecia esses fatos, assim como sabia que a adoção de segurança para dirigentes ocorre em outros grandes clubes e já foi utilizada em gestões anteriores do Corinthians.
Nesse contexto, causa também estranheza o pedido de afastamento formulado pelo Ministério Público, que será devidamente contestado nos autos.
Osmar Stabile permanece normalmente no EXERCÍCIO DA PRESIDÊNCIA, pois o pedido depende de decisão judicial.
A defesa, por sua vez, confia no Poder Judiciário e está segura de que ficará demonstrado que não houve qualquer apropriação de valores do Clube.”
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