

Por Tiago Salazar e André Costa
O Departamento de Integração do Corinthians, previsto para ser extinto segundo o orçamento apresentado pela diretoria alvinegra para 2026, continuou em funcionamento por decisão do presidente do clube, Osmar Stabile. Pelo menos é isso o que afirma Armando Mendonça, vice-presidente do Timão.
No último sábado, a Gazeta Esportiva revelou que o orçamento do Corinthians para esta temporada, aprovado pelo Conselho Deliberativo, não previa a destinação de recursos ao Departamento de Integração, uma vez que a intenção da diretoria era encerrar as atividades do setor.
Em nota oficial enviada à reportagem, o clube alegou que houve um erro e que a continuidade do departamento estava prevista. O discurso foi reforçado por Fredy Marcelo Auricchio Esposito, coordenador do Departamento de Integração, que também se manifestou em contato com a Gazeta Esportiva.
No entanto, a reportagem obteve acesso a uma troca de e-mails que comprova que a diretoria do Corinthians pretendia extinguir o setor e desligar todos os profissionais que o compunham.
Em 11 de fevereiro deste ano, Roberto Toledo, gerente de Esportes Terrestres do Corinthians, enviou um e-mail a dirigentes do clube, incluindo o vice-presidente Armando Mendonça e o gerente do Departamento Financeiro, André Lavieri. Na mensagem, Roberto aborda o plano de reestruturação administrativa instaurado pela gestão de Osmar Stabile, que tinha como objetivo reduzir custos, e trata especificamente do Departamento de Integração.
O profissional diz ter “recebido da vice-presidência a informação de que o departamento seria desativado”. Segundo ele, o encerramento do setor, somado a outros dez desligamentos previstos para ocorrer em diferentes áreas, geraria ao clube uma economia de quase R$ 2 milhões por ano.
Roberto Toledo ainda fez um alerta: Gustavo Lott Fonseca, coordenador administrativo do Departamento de Integração, fazia parte da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio). Por isso, ele pediu que a diretoria definisse como ficaria a situação do profissional.
No mesmo dia, em resposta ao e-mail, Fábio Sader, gerente do Departamento Jurídico, aconselhou a diretoria a não prosseguir com a demissão de Gustavo Lott. Ele alegou que, em razão do direito à estabilidade provisória, a dispensa do profissional cipeiro, sem justa causa, poderia acarretar indenização e reintegração do empregado. A orientação foi ratificada por Marcos Vinicius de Souza Carvalho, profissional de Recursos Humanos do Corinthians.
A partir daí, Armando Mendonça entrou na conversa e respondeu ao e-mail, questionando se havia a possibilidade de manter o departamento apenas com Gustavo Lott até o fim do período de estabilidade, que seria em junho de 2026.
André Lavieri, do Departamento Financeiro, sugeriu que a diretoria de Esportes Terrestres comunicasse o encerramento do departamento e o desligamento de todos os seus colaboradores, com exceção de Gustavo. Para o membro da Cipa, ele indicou duas possibilidades: “Oferecer uma função administrativa que já estava no plano de reestruturação do clube para contratação/realocação de algum profissional até o encerramento do prazo de estabilidade, ou permitir que ele saísse por vontade própria”.
Roberto Toledo acatou a sugestão e disse que iria pensar em possíveis funções nas quais Gustavo poderia ajudar, pois, segundo ele, o profissional “não sairia por vontade própria”.
Quase um mês depois, no dia 2 de março, Armando Mendonça enviou um novo e-mail e questionou qual havia sido o desfecho do caso. Porém, como revelou a Gazeta Esportiva, o Departamento de Integração não só continuou em funcionamento como segue gerando um custo anual de aproximadamente R$ 930 mil aos cofres do Corinthians.
A reportagem procurou Armando Mendonça e questionou se o dirigente estava ciente das revelações publicadas no último sábado. O vice afirmou que sabia da permanência do Departamento de Integração, mas “não sabia das despesas atuais” que ele gerava. Além disso, a Gazeta Esportiva perguntou quais providências ele tomou sobre o caso. Ele respondeu que pediu à diretoria de Esportes Terrestres que o setor fosse desativado.
“Considerando a projeção orçamentária para 2026, construída pelo Departamento Financeiro em conjunto com o Grupo de Reestruturação Financeira à época e, posteriormente, aprovada pelo Conselho Fiscal, pelo Cori e pelo Conselho Deliberativo, no início do ano, ficou decidido pelo encerramento do Departamento de Integração. Solicitei, então, ao gerente do Departamento de Esportes Terrestres que providenciasse o seu encerramento, com as dispensas dos colaboradores”, disse Armando à reportagem.
Questionado por que o processo evidenciado na troca de e-mails não foi concluído, o vice afirmou: “Por decisão do presidente [Osmar Stabile]”.

(Foto: Evander Portilho/Corinthians)
Em contato com a Gazeta Esportiva, Fredy Marcelo, coordenador do Departamento de Integração, afirmou que o fato de o orçamento para 2026 não prever a destinação de nenhum recurso à área foi um erro de Marco Polo, então diretor do Departamento de Esportes Terrestres.
No entanto, procurado pela reportagem, Marco Polo negou a acusação. Ele disse que havia sido informado sobre a descontinuidade do departamento e que apenas “cumpriu com o que foi determinado”.
“Diante do cenário proposto pela Diretoria Financeira e pelo presidente quanto ao corte de custos e despesas para o orçamento de 2026, em reuniões com a equipe da Alvarez & Marsal, o Departamento Financeiro e o Grupo de Reestruturação Financeira e Administrativa do Corinthians, ficou definida a descontinuidade do Departamento de Integração. Portanto, não houve esquecimento ou erro da minha parte, como é mencionado na reportagem. Estava cumprindo o que havia sido determinado na elaboração do orçamento”, afirmou.
Questionado sobre os motivos que levaram o departamento a não ser descontinuado, Marco Polo respondeu: “Não posso afirmar quem tomou a decisão final da não descontinuidade do departamento, mas depois de todo o processo feito, o Departamento Financeiro, a Alvarez & Marsal e Grupo de Reestruturação levaram o tema ao presidente”.
A Gazeta Esportiva procurou o Corinthians e indagou se a diretoria presidida por Osmar Stabile estava ciente do processo citado na troca de e-mails, por que ele não foi concluído e como a gestão justifica a manutenção do departamento após as sugestões para que ele fosse desativado. No entanto, até o momento da publicação desta matéria, o clube não respondeu aos questionamentos. Caso o Timão se manifeste, o texto será atualizado.
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O Departamento de Integração foi criado no início da gestão do ex-presidente Augusto Melo, em março de 2024. Segundo nota publicada pelo Corinthians na época, o setor tinha como objetivo “promover o desenvolvimento dos jovens das categorias do sub-11 ao sub-17”, aproximando as categorias de base do clube, o Chute Inicial, rede oficial de escolas de futebol do Corinthians, e o Cifac (Campeonato Interno de Futebol Associativo do Corinthians).
Segundo o Corinthians, o custo anual do departamento é de R$ 564.128,00. A Gazeta Esportiva, porém, teve acesso ao documento inserido no orçamento e levado ao Conselho, que apontou um custo de R$ 922.930,00 em 2025. O valor contempla todas as despesas relacionadas ao setor, e não apenas os salários dos funcionários. A receita obtida pelo Timão por meio do departamento, por sua vez, foi de R$ 0,00.
A maior parte das despesas está concentrada em “pessoal”, categoria que engloba a remuneração dos profissionais que integram o departamento. Atualmente, o setor é formado por quatro pessoas: Fredy Marcelo Auricchio Esposito, coordenador de Integração do Futebol de Base; Gustavo Lott Fonseca, coordenador administrativo; Wagner Rivera Rodrigues, supervisor de captação; e Matheus Marques Teles, treinador de futebol.
O custo mensal do Corinthians com Fredy Marcelo, considerando salário, 13º, férias e impostos, é de R$ 28,248 mil. Gustavo Lott representa um custo de R$ 22,625 mil, enquanto Wagner Rivera custa R$ 13,986 mil e Matheus Marques, R$ 7,386 mil. Somados, os quatro profissionais representam uma despesa de R$ 866,930 mil ao clube. Outros R$ 56 mil correspondem a despesas relacionadas a “serviços”.
O post Vice do Corinthians culpa Stabile por manutenção de departamento “fantasma” apareceu primeiro em Gazeta Esportiva.
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